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AUMENTAR O TEMPO?

AUMENTAR A QUANTIDADE DE TEMPO




 




            Filosoficamente (quase matematicamente), a quantidade de tempo aumentará quando nosso “medidor” captar mais intensivamente a sua passagem. É fácil verificar em nossa memória o quanto a sensação de que estávamos “com tempo”, quando passamos sete a nove minutos saboreando um sorvete, sentados num banco próximo à sorveteria. Às vezes constatamos que “o tempo parou” quando dançamos com alguém que amávamos, com alegria, numa festa que ocorreu anos atrás. Podemos nos lembrar de quando fitamos “longamente” uma pessoa querida num leito, pelas últimas vezes antes dela morrer por causa da doença que a atingira. È possível para um torcedor fervoroso lembrar-se de quando assistiu a uma jogada que levou sua equipe à vitória de um importante campeonato. Podemos perceber como “um tempo que ficou na nossa memória”, um momento no qual excitávamos um trabalho importante, com orgulho e alegria...




            Pode parecer apenas filosofia, mas o que é a filosofia se não a declaração de que nada sabemos e a certeza de que devemos explorar o conhecimento e a consciência dele?




            Sabemos que é insuportável trabalhar numa repetição de ações, sem criar, sem sentir a vida fluir em nossa consciência. Sentimos falta de perceber que estamos vivendo enquanto fazemos o que devemos fazer para cumprir nossos compromissos. O tempo precisa estar “vivo” para que tenhamos a sensação de abundância e, se estivermos trabalhando “meio mortos”, sem novidades, a sensação será de escassez.




            O cientista social americano Eugene Gendlin (www.focusing.org) nos ensina a observar atentamente as sensações corporais, especialmente na região da barriga, próximo ao peito, onde sentimos as emoções mais fortemente. A partir da percepção de como nos sentimos enquanto vivemos, trabalhamos e aprendemos, passamos a ser orientados pelo nosso próprio corpo, sobre o que nos aflige, o que queremos e o que nos anima. Independente de como descobrirmos como nos sentimos, aprender sobre as emoções sem correr delas ou atrás delas é um processo valioso para aumentar a qualidade da vida e, com isso, a sensação de ter tempo.




            Pelo simples fato das coisas passarem a ser percebidas “em si”, e não apenas sentidas “no geral”, sem uma percepção atenta, podemos aprender que:




- Nada vale nada (tudo é a mesma coisa e não merece que nossa vida seja esquecida ou prejudicada para que alcancemos resultados);




- tudo vale tudo (dedicar-se e empenhar-se, por escolha, sentindo-se livre para fazer o que for considerado importante e necessário, mesmo a parte mais desagradável como ouvir críticas e às vezes desaforos, ajuda a realizar aquilo que desejamos e com o que nos compromissamos).




            Como exercício, podemos fazer uma lista de afazeres mais usuais do trabalho, do cotidiano profissional e, depois, escrever na frente de cada um dos itens os termos “FAÇO ISSO POR ESCOLHA E COM LIBERDADE”. Ler isso de vez em quando pode levar, depois de alguns dias, ao cuidado para com a qualidade da vida e, com isso, aumentar, mesmo que apenas um pouco, a sensação da vida, enquanto o tempo acontece.




 




prc

   
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