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"DESMORALIZAÇÃO DO GOVERNO AFETA OS NEGÓCIOS"



Texto de Matos Madeira




 



            É possível analisar a história da nossa “ politicazinha” que teve como lema instituído e divulgado a alguns anos, no auge da ditadura republicana brasileira, a frase Esse é um país que vai pra frente! Com tal expressão fortalecida pelo futebol da seleção, o país, que ia pra frente, atropelava os cidadãos nos seus direitos e instalava um esquema de corporativismo. Concessões de emissoras de TV, rádios, permissões para publicação de jornais e revistas deveriam cumprir um pacto de não contrariar ou criticar os interesses dos políticos governantes, líderes do governo, que apresentavam uma imagem pública de lisura e, na intimidade, viviam em contínua negociação para benefícios próprios e de interesses de grupos “especiais”.





            Não pudemos conhecer estadistas e sim aproveitadores. E o país continua “indo pra frente”. Agora é apenas o depois de antes, no caso da política brasileira, pois continua sob comando um povo estupefado diante do tamanho da ganância dos governantes para arrancarem impostos, obterem benefícios pessoais e proteger seus grupos e garantir a continuidade nos papéis públicos. A voz da comunidade formada pelos cidadãos comuns,, que não têm fama e garantias e trabalham para sustento próprio e de suas famílias, fica cada vez mais fraca.





            Estamos indo pra frente. Pra frente de uma batalha em andamento, dos políticos corruptos contra uma justiça constrangida, dos marginais contra a estrutura policial enfraquecida por falta de salários dignos e de recursos logísticos e de gestão, dos vários órgãos coletores de tributos que não geram retornos sociais dignos contra empregados e empresas submissos às leis inescrupulosas, daqueles que detêm o poder originado de esquemas criminosos contra cidadãos incapazes de defenderem-se para não terem arrancados o resto de seus direitos, inclusive de viver.





Comentário de Paulo Roberto para gestores de negócios:



 



            A desgovernança pode se tornar um risco empresarial para os próximos anos no Brasil, como conseqüência da desmoralização do governo. Na elaboração do planejamento dos negócios para os próximos períodos, convém pensar que isso é possível e criar alternativas para lidar com restrições muito graves à produção e ao consumo dos produtos e serviços. O caos do mercado pela desgovernança não precisa ser visto como fim e sim como processo. Nele, inseridos como profissionais, lidamos com nossos negócios e buscamos realizações e, no caminho, encontramos as dificuldades. Como as dificuldades orgânicas do governo são muito grandes, serão necessários dirigentes e líderes criativos e corajosos para lidar com o caos que, como a história de várias sociedades nos mostra, é uma passagem inevitável.



prc








 

   
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