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ALGUNS PERDEM, OUTROS GANHAM

 


            Gostar de futebol e cerveja não desestimula a seguinte reflexão:


No modelo econômico da exploração e do consumo, enquanto alguém perde, outros ganham. No caso da derrota da seleção brasileira de futebol isso pode também ser considerado. Vejamos algumas alternativas de percepção:


O TORCEDOR PERDEU – Identificado com o motivo da comemoração, da supremacia do nosso futebol sobre aquele que apresentavam os adversários, o torcedor perdeu o estímulo para a comemoração entusiástica e eufórica. A sensação de união e força social, quando todos (ou quase todos) parecem voltados para um mesmo propósito (ter a seleção campeã mais uma vez), traz uma forte experiência de poder e alegria. Isso, o torcedor perdeu.


A MAIOR EMISSORA DE TV DO BRASIL PERDEU – Acostumada a manipular o consumo, as eleições e, de certo modo, até os sentimentos da população, a rede de TV viu-se diante da necessidade de “recolher” seus “galvões”  e “faustôes”, diante de uma interrupção do que parecia certo: ganhar tudo até o fim da copa, principalmente o dinheiro da publicidade em torno da seleção brasileira.


O MAIOR FABRICANTE DE CERVEJA PERDEU – Dominadora absoluta do mercado de cerveja e detentora de um lobby poderoso, capaz de fazer com que no Brasil não haja restrições ao consumo do álcool em locais públicos, como acontece hoje com o consumo do cigarro, a indústria dona das marcas mais conhecidas, viu-se obrigada a engolir de volta o estoque distribuído no mercado para as vitórias até o fim. Essa perdeu...


O GOVERNO DA REELEIÇÃO PERDEU – Perdeu a tranqüilidade de continuar na certeza de que a reeleição seria fácil. Bastava a seleção brasileira de futebol ganhar para “carimbar” a mente da massa com a idéia de que “o Brasil é realmente um país de todos”. Seleção campeã, cerveja e festas, união em torno de algo comum... isso seria o ambiente preferido para quem queria o continuísmo. Mais pizzas e “dancinhas” estariam garantidas.


O QUE PODEMOS GANHAR? O bebedor de cerveja que deseje reduzir a barriga passando a beber apenas a metade do seu hábito atual e que, por classificação econômica, não se encontra em posição privilegiada (não é rico), pode ganhar. Se pensar como os europeus, mais comedidos na euforia de consumir, pode montar uma tabela de economia pessoal a ser cumprida guardando-se metade do que gastaria com supérfluos. Reduziria a sua conta de bar à metade e, com isso, aumentaria a chance de ter algum dinheiro para usufruir de modo pensado.


O QUE COMEMORAR? O operador de uma fábrica pode comemorar o convite de participar de um treinamento que proporcionará aumento do conhecimento, como poderá comemorar o aprendizado obtido a cada momento. São vitórias. O taxista pode comemorar o início ou o término da árdua economia que proporciona a aquisição de um novo carro, seu instrumento de trabalho. Estudantes da universidade podem comemorar a aproximação para com o mercado de trabalho, ao dedicarem tempo disponível na busca de interações e informações sobre o que acontece, comemorar os estágios conseguidos... Dirigentes de empresas podem comemorar o fornecimento de benefícios mais duradouros do que horários flexibilizados para os empregados assistirem ao futebol da copa.


COMENTÁRIO DE UM TAXISTA SOBRE A COPA: “Dizem que os Japoneses são mais inteligentes do que nós brasileiros. Isso não é verdade. Nós somos tão inteligentes quanto eles. Mas, os Japoneses são muito objetivos. Eles não se aglomeram para jogar tempo fora”


 


prc


 

   
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