Pressão para aumento da produção, escassez de recursos para o desempenho, problemas comuns no caminho da produtividade e da competição, ameaças de perder a fonte de receitas, tributos abusivos para alimentar políticos desonestos, desorganização do governo, concorrentes tipo “meia-nota” ou “sem-nota” para compensar o abuso dos tributos, e mais. Nesse meio, empresários e profissionais passam grande parte das suas vidas tentando obter ganho suficiente para sustentar a família e conseguir bem estar. È muito fácil se esquecer de si mesmo nessa confusão. As metas e os problemas ganham lugar no topo das preocupações. Para completar, a máquina de estímulo ao consumo promete prazer e alegria para compensar a dedicação e o trabalho. “Beba isso”, “coma aquilo”, “experimente”, “utilize”, “visite”, “compre”, “tenha”, são ordens poderosas em nossas cabeças. O que fazer para lembrar-se de si mesmo?
Lembrar-se de si não é um dos atributos ao alcance de todos, embora, a princípio, pareça fácil. Lembrar-se de si não é reagir egoisticamente diante das situações e querer levar vantagem. Esse vício não nasceu da pessoa genuinamente, mas é apenas um vício social, uma deformação que existe como epidemia.
Lembrar-se de si é ter sensibilidade para observar a si mesmo e perceber a própria dinâmica de sensações, pensamentos, sentimentos, desejos... Conhecer a si mesmo, o que Sócrates indica como primeiro caminho da sabedoria, é muito mais complexo do que podem imaginar as pessoas que gostam de simplicidade.
Observar a si mesmo já é um grande passo, porém, também difícil. Em todo momento a atenção torna-se refém de algo com o qual nos identificamos, sejam fatos, pensamentos, sentimentos, pessoas, problemas, etc. Nos entregamos a alguns estímulos e nos esquecemos dos demais. Chegamos ao cúmulo de nos esquecermos até de comer, de beber água, de ir ao banheiro, em função da identificação, o que chamamos, por engano, de dedicação.
Como assim acontece, em alguns momentos podemos sentir a forte necessidade de nos lembrarmos de nós mesmos. Ao desejar isso, o que podemos fazer? Pelo menos iniciar. Buscar, com criatividade, o descondicionamento dos nossos hábitos e iniciar um longo trabalho educacional direcionado a nós mesmos deve gerar efeito.
Um recurso inicial muito simples, por exemplo, pode ser o Bloco de Notas Bem Pessoal. Nele, podemos anotar algumas perguntas e buscar respostas, lembrando que as coisas mudam o tempo todo e que, as próprias anotações, se transformam com o tempo. No Bloco de Notas, podemos registrar:
O que eu gosto de comer?
O que eu não gosto de comer?
Qual o meu compromisso mínimo com relação ao exercício físico?
O que realmente me dá prazer no lazer do tempo de folga?
O que eu faço como se estivesse me divertindo e, na realidade, não é diversão para mim?
Que tipo de roupa prefiro usar fora do trabalho? (cores, tecidos, etc...)
Quais são as músicas que mais gosto de ouvir?
Que tipo de leitura eu aprecio?
O que eu não gosto de ler?
Com quem eu gosto realmente de conviver? (usar símbolos para responder)
Com quem eu não gosto de conviver? (usar símbolos para responder)
Meu organismo está solicitando o que nesse momento para seu equilíbrio?
O que meu organismo pede para que eu pare de fazer?
Há dezenas de perguntas como essas a serem feitas e respondidas continuamente. Quando o garçom perguntar o que você vai beber, durante o almoço, você vai responder o que? O que seu organismo deseja ou o que ele oferecer? A determinação somente será possível quando você for capaz de observar a si mesmo e verificar o que realmente deseja.
O Bloco de Notas Bem Pessoal visa o treinamento para a lembrança de si. A princípio, ele poderia ser feito algumas vezes na semana, com perguntas diferentes. Jogar fora os anteriores é conveniente e ter apenas um papel ou um arquivo, para não juntar porcaria.
Com o tempo, podemos passar a nos lembrar de observar a nós mesmos, sem que, para isso, seja necessário responder, com grande freqüência, a perguntas escritas.
prc
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