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REINADO E CICLO DE VIDA DOS PRODUTOS

Lidar com estratégias exige, além do exercício da concentração e da determinação de ir até o fim na concepção de idéias, a convivência com fortes emoções. Quanto há necessidade de se desfazer de algum produto de pouco sucesso para direcionar maior atenção  aos produtos mais fortes e promissores, não deixa de haver a sensação de que “é maldade matar um produto, pois ele teria chances de continuar vivo se isso e se aquilo acontecesse”. Porém, a realidade impõe ritmo e não se pode esperar na competição de mercado, quando o tempo do mercado não perdoa.  “Time to market” é fator estratégico dos mais preponderantes. Teremos que lançar produtos antes dos concorrentes, na maioria das vezes em que devemos ter liderança no mercado.



Todo produto, com sua marca, sua “personalidade” tem tempo de vida limitado. Por mais que brilhe, sempre corre o risco de deixar de existir em algum momento. Poder e valor de um produto sofrerão transformações que poderão levá-lo ao fim. O ciclo da vida de um produto tem início, existência e fim. Porém, alguns produtos parecem continuar existindo indefinidamente.  Isso acontece porque existe um enorme investimento em marketing e publicidade, sem o qual um produto morreria rapidamente. Imagine uma marca de cerveja sem publicidade. Muitos produtos continuam existindo, também, porque são “renovados” quando uma nova empresa os adquire. Bombril, Toddy e milhares de outros produtos que poderíamos citar, mudaram de mãos e, nas aquisições, passaram a ser “novos produtos” no contexto da administração estratégica dos adquirentes. Ou seja, quando uma empresa compra uma marca (de um produto) que viveu durante anos, para ela, o produto inicia novo ciclo, o comportamento empresarial tratará o produto como se fosse novo. Farão investimentos vigorosos para o sucesso do produto, para que seja fortalecido ou renovado seu poder de mercado. Exceção ocorrerá quanto o objetivo da compra for para “matar um produto concorrente”, o que também acontece.



Mesmo que os produtos tenham grande poder agora, é prudente acreditar na sua queda e preparar novos para substituí-los. Mais cedo ou mais tarde, eles vão morrer. Quem imaginava a alguns anos atrás que a Coca Cola compraria fábricas de suco natural? Que a Gessy-Lever, dos sabonetes, se tornaria Unilever e fabricaria alimentos?



Londres



Em visita à catedral “St Margareth Churchill” e ao Kensington Palace, somos estimulados a refletir acerca da vida e da morte. Na catedral estão enterrados os corpos de Henrique VIII, seus antecessores e outros que o sucederam. No Kensington Palace, que foi transformado em museu, viveu a princesa Diane com o príncipe Charles até a separação e, sem ele, até a morte, em 1997. No mesmo palácio viveram reis, rainhas, príncipes e princesas. Pinturas dos nobres em seus suntuosos apartamentos, móveis arrumados de acordo com os indícios de como eram dispostos, roupas e objetos pessoais estão em toda parte. Uma coisa muito evidente: a riqueza. O povo, com exceções, sempre admirou a nobreza e acreditou que ela tinha mais acesso a Deus. Os visitantes de uma exposição temporária de roupas e projeção de slides de Diane puderam sentir um  pouco do choque entre a vida da nobreza e a realidade da morte. Ver os vestidos da princesa Diane e suas fotos e, no mesmo palácio, ver o trono onde sentaram reis durante centenas de anos, a cama onde dormia a Rainha Victória, o ambiente no qual viveram e conviveram é contrastante com a idéia de que se foram. A vida dos poderosos e a morte das pessoas.



Pode parecer exageradamente dramático utilizar essas imagens para se pensar em ciclo de vida de produtos. Porém, foram produtos que fizeram com que tivessem tanto poder. Principalmente produtos de informação ajudam a definir o poder público. No Brasil, por exemplo, os produtos de informação do governo, especialmente bem administrado pela TV, gerenciam o comportamento da sociedade, fazendo com que aceitemos, mesmo o que seria inaceitável, apenas por estarmos submetidos a um conjunto tramado de informação. Quando Aristóteles esclareceu que, para que um governo tenha poder sobre seu povo é necessária a existência psicológica e filosófica de Deus, isso, por si só, já estabeleceu que tipo de produtos da informação o povo deveria receber para submeter-se ao poder dos governantes. Simplificando, por acreditar que existe uma força superior capaz de julgar os atos dos governantes e puni-los se não forem justos, o povo aceita o poder destes.  Além de produtos da informação, também são produtos os serviços que o estado deve prestar ao povo. Alguns governos fazem muito mais publicidade sobre o que está sendo feito do que realmente investem em melhoria. Também os produtos tangíveis, como alimentos e remédios, completam o fornecimento dos governos que controlam seu povo. Fala-se de democracia, mas, mesmo nesta, não se abre mão de manter o domínio do governo sobre o povo. No mundo dos negócios fora da esfera estatal, ponde o lucro é o poder (e dinheiro para os corruptos) , os produtos de uma empresa são fontes de receita e lucro. Para que o negócio se mantenha no mercado, os produtos devem ser fornecidos junto com informação e serviço. Quando a informação torna-se ineficaz, o produto perde a capacidade de estimular as pessoas a continuarem seu consumo e, quando o serviço não é eficaz, o produto não chega onde deve.



Então, na reflexão, podemos considerar:



- Todo produto que tem valor e poder está condenado e exige investimento constante e renovação;



- Alguns produtos não terão mais sucesso, por terem perdido valor ou por não ter como haver investimento neles e, por isso, deverão ser cancelados;



- Novos produtos devem ser criados, continuamente, pois os velhos deixarão de existir em algum momento. Mesmo os pneus de carros, que parecem eternos, correm o risco de deixarem de existir...



 



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