Qualquer mudança no estilo de vida que inclua um hábito esportivo novo com propósito de saúde, necessariamente deve superar um conflito:
“Eu preciso, mas é desagradável iniciar”.
Uma curiosidade relativa ao comportamento humano ocorre quando, embora saibamos que precisamos iniciar algo, o que fazer, como fazer, e ainda estamos conscientes de que se o fizermos teremos o prazer ou o benefício de ter feito, ficamos imobilizados. Algo que não conseguimos perceber desestimula a iniciativa. Faz parte da condição pessoal para se fazer algo novo e que exija esforço físico, disponibilidade, e aprendizado até se adquirir o novo hábito, a superação de tal conflito. Conhecendo ou não as causas da dificuldade de começar a prática de uma atividade física, podemos facilmente notar que a etapa de desconforto inicial, para algumas pessoas, é apenas uma passagem quase natural. Certamente, para essas pessoas, isso ocorre depois de verdadeira decisão.
Porém, antes da decisão é preciso que a relação intrapessoal (o diálogo interno: “eu comigo mesmo” ou “eu comigo mesma”) ocorra num elevado nível. Se há evolução, não ficamos fazendo muitas análises para saber se merecemos ou avaliando e culpando-nos por não estarmos fazendo o que precisamos ou queremos. Em vez de nos vermos pelo crivo de avaliação, culpa e condenação, olhamos para nós mesmos com respeito e compreensão, o que leva ao merecimento. Teremos a convicção de que, desde já, merecemos viver bem, felizes, fortes, no peso preferido, nos lugares que nos agradam, com pessoas das quais gostamos, e assim por diante...
Grande parte dos pacientes cardíacos que vivem situações emergenciais e passam a se submeter ao tratamento para redução do peso, controle do colesterol, interrupção do tabagismo, redução do uso da bebida alcoólica, uso de medicamentos, dentre outras medidas, geralmente obedece `às exigências do tratamento somente quando considera que merece viver bem e por mais tempo. O fato de muitos dos pacientes cardíacos voltarem aos maus hábitos poucas semanas após o susto está associado à percepção de “não merecer cuidados muito especiais”. O trabalho mais nobre dos médicos poderá ser ajudar seus pacientes a respeitarem-se e compreenderem-se como merecedores de uma vida saudável e bem vivida.
Consideremos, agora, pessoas saudáveis, que ainda não são pacientes cardíacos por motivos de colesterol alto ou aumento da pressão sanguínea e peso por causa de maus hábitos. Estes vivem também o mesmo drama, na hora de iniciar um esporte para ganhar resistência, manter o corpo saudável e manter a beleza: “O difícil é começar!”
Mulheres bonitas e jovens, homens em início de carreira profissional, recém casados, executivos responsáveis por estratégias, aposentados, idosos... não importa. Todos são pessoas que têm um organismo vivo a ser cuidado. Para que as atividades físicas indicadas ou desejadas sejam iniciadas e levadas adiante, o que houver de desagradável para o principiante deverá ser superado. Aí, um investimento na compreensão e no respeito para consigo, como alguém que merece o melhor, será fundamental. Somente será capaz de cuidar de si e superar o desagrado e o desajeito de iniciar uma atividade física ou esportiva para o benefício do bem estar, da saúde e/ou da beleza, quem aprender a amar sem avaliar.
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