As pessoas
podem discutir efusivamente sobre alguma coisa que, no fundo, não importa para
nenhuma delas. Simplesmente 'caem' num ambiente de disputas desgastantes e
inúteis. Pouco se ganha com esse tipo de interação.
Por outro lado, quando ocorrem conflitos
relativos a algo que realmente tem valor para a organização e para as pessoas
envolvidas, as discussões se tornam oportunidades de solução de problemas e de nova
definição dos rumos. Aprender a
discutir é indispensável na preparação profissional, principalmente de líderes
e dirigentes. Nem sempre os processos de decisão e implementação de ações ocorrem
sem impasse, confronto de argumentos e insatisfação de alguma das partes. Pessoas
deixam escapar gestos agressivos e outras expressões, como indiferença e ira,
que dão um tom negativo às relações. Percebemos o mundo de maneira diversa.
Mesmo que todos de um grupo tenham um mesmo propósito, a maneira de ver e as
escolhas das ações podem ser bem diferentes e divergentes. Dentre as habilidades exigidas no contexto
empresarial para lidar com situações de conflito, algumas se destacam:
- Saber
ouvir,
- Empatia
(Colocar-se no lugar da outra pessoa para compreender sua circunstância),
-
Controlar a própria reatividade aos estímulos, tendo a opção da espera do
melhor momento para responder ou contra-argumentar,
-
Identificar e separar os vários componentes envolvidos. De um lado, considerar fatores
empresariais, tais como valor financeiro, objeto físico, histórico, plano,
propósitos, riscos, etc. Observar, por outro lado, componentes que carregam
emoções, tais como status, sensação de poder, proteção da auto-imagem e do ego,
supervalorização da própria razão e afetividade nas relações entre envolvidos,
-
Comunicar-se com clareza para que o conteúdo da discussão (a "coisa"
discutida) e as pessoas envolvidas sejam tratados como fatores bem distintos,
- Recompor
o próprio argumento para ajudar o interlocutor a perceber sob outro ângulo e,
assim, aumentar a chance de aceitação;
- Discutir
até o fim. Não abandonar a discussão e, ainda, estimular os demais a fazerem o
mesmo.
Uma discussão abandonada por alguém no
auge do antagonismo fortalece problemas e dificulta a solução.
Nos casos em que os fatores afetivos e
emocionais estejam muito aflorados ou cristalizados, será necessária a mediação
ou facilitação por profissional especializado. Um dos objetivos do mediador será
ajudar os interlocutores a irem até o fim na necessária discussão. Ela deve
gerar aprendizado, decisão e ação favoráveis à empresa, aos envolvidos e ao
sistema como um todo. Também, a discussão deve chegar ao fim para permitir que
os envolvidos readquiram disponibilidade suficiente para a realização dos
propósitos mais relevantes em trabalho conjunto. Uma discussão entre sócios ou dirigentes, por exemplo, deve
chegar ao fim para manter o sistema empresarial destravado e não "intoxicar"
toda a empresa com indecisões e disputas de poder.
Uma orientação valiosa: "Ficar fora
de discussões inúteis e ir até o fim nas discussões relevantes".