Houve tempo (e ainda há lugares) em que o ambiente, os móveis e utensílios, máquinas e equipamentos deviam apresentar funcionalidade, porém, não se fazia questão de beleza. O período industrial tinha seu estilo. De certo modo, máquinas robustas e 'feias' eram espécies de expressões da masculinidade do mundo industrial produtivo. Peças internas de um automóvel ou qualquer máquina tinham uma espécie de liberdade para não precisarem de cuidado estético, desde que cumprissem sua obrigação operacional. Paredes de uma fábrica e a superfície das máquinas podiam ser pintadas de cores 'sem graça', num tom cinzento que se misturasse com a cor da poeira e do óleo. As pessoas não exigiam mudanças, estavam habituadas a esse perfil de ambientes e, quando desejavam algo mais 'colorido', isso era logo rechaçado por 'decisões empresariais sérias'. Os homens comandavam as fábricas, os negócios, o comércio, quase tudo. As mulheres cuidavam de suas casas, filhos e escolas.
O que as pessoas sentiam e pensavam no trabalho subordinava-se à exigência do volume de produção da mão de obra. Embora a natureza da maioria das empresas ainda continue desumana quanto à pressão exercida para que as pessoas produzam, lentamente são introduzidos ingredientes humanizadores. Por exemplo, as peças mecânicas internas, que trabalham escondidas, já obedecem a algum conceito de design. Devem ter aparência agradável, pelo menos para funcionários da fábrica, consumidores e mecânico das oficinas. As paredes de uma fábrica e as máquinas já são tratadas de modo que o ambiente fique 'bonito' e 'agradável'. Mas não é apenas ai que se aplica o cuidado estético. A logomarca de uma empresa precisa ter 'personalidade', alguma 'alegria', uma 'beleza institucional' evidente. A marca precisa ter sua beleza evidenciada. Para isso, antes de mais nada, precisa nascer bonita (ou ganhar beleza com o crescimento). A beleza da marca atrai interesses e, especialmente, deve atrair o interesse dos clientes e consumidores.
"Adoro a logo da SAMSUNG" ou "Acho linda a garrafa de COCA-COLA" são expressões afetivas naturalmente estimuladas pelo design. Ampliando a visão da estética, pensemos na aparência dos alimentos servidos num restaurante. Já não basta que a comida alimente o sistema digestivo, ela precisa alimentar os olhos com sua beleza. E as pessoas? Não basta terem uma bela aparência. Queremos delas também um comportamento estético. Ou seja, que expressem beleza nos gestos, seja esta planejada ou espontânea. Um perfume agradável e levemente aplicado pode ser muito mais 'estético' para o ambiente profissional do que 'um banho' de um forte perfume. Cumprimentar as pessoas, num aperto de mãos, sem olhar nos olhos é um gesto 'sem muita beleza'. Uma fala cuidadosa, verdadeira e orientadora tem mais beleza do que um breve "Não era pra fazer desse jeito!"
Juntando tratamento da marca de uma empresa, seu ambiente interno, as cores de suas paredes e de seus equipamentos e todos os elementos presentes, não haverá poder maior do que aquele que vem da expressão das 'suas' pessoas. Movimento, expressão, troca de idéias, gestos numa reunião, modos de falar, escrever, responder, perguntar, comandar, criticar, admirar... Tudo isso dá vida, muita vida às empresas. Acredito na expressão bem difundida de que as empresas são desumanas. Mas acredito, também, que as pessoas podem humanizá-las gradativamente.E fazem isso simplesmente exercendo o poder de introduzir beleza tanto nos gestos e expressões quanto nos ambientes e seus conteúdos práticos. Sentido da beleza: atingir as pessoas de modo que se sintam bem.
É claro que existem muito mais fatores do que apenas a estética para o enriquecimento humano das empresas, porém, devemos nos lembrar de que é um dos destaques. Não podemos ficar longe das artes e da literatura. Arte e literatura são expressões que brilham por riqueza estética. Nós também.
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